Quando o cansaço de um estudante se torna preocupante? - Moça de Casa | Carreira, estudos e rotina: de casa

Quando o cansaço de um estudante se torna preocupante?

by - agosto 31, 2019

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O avatar do estudante cansado é quase uma unanimidade: olheiras enormes, uma pilha de textos embaixo do braço (ou no seu Drive) e sono eterno, que pode ou não estar acompanhado de uma dorzinha de cabeça no final do dia. 

E olha que eu nem falei das dores nas costas ainda.


Existe toda uma discussão possível a respeito dos nossos hábitos - da procrastinação à forma como nos sentamos, hidratamos, dormimos e comemos.


Mas não é para te julgar que eu estou escrevendo este post.


É para acender o seu sinal de alerta.


Como a maioria dos estudantes, é possível que você mal tenha chegado à vida adulta. O mercado de trabalho pode ainda ser uma novidade para você. Ou, então, você é um veterano, sobrevivente de guerra que alia os estudos com um emprego em tempo integral ou parcial. 


De qualquer forma, você está experimentando a capacitação necessária para se desenvolver como ser humano e profissional.


Mas existe um perigo ENORME e SORRATEIRO rondando todos os estudantes… 


E ele chega de forma totalmente inocente. 


Começa com uma noite mal dormida aqui e outra ali. Depois, vêm as refeições engolidas às pressas - não raro entregues pelo homem com a buzininha que mais amamos na vida (sim, a do delivery). Beber água? Eita, só nos lembramos quando a boca já está seca (o que significa que o seu corpo já entrou em um estado de desidratação, caso você não saiba).


Mas esse é apenas o início.


As coisas começam mesmo a descer a ladeira quando sentimos que estamos com uma constante corda em volta do pescoço. Pensamentos do tipo “eu nunca vou dar conta de tudo isso” são nossos coleguinhas de toda sessão de estudo. 


Não estranhe se os seus pés e mãos formigarem. Se a sensação de eletricidade nas suas veias nunca for embora.


Estranhe se só de pensar em estudar o seu coração acelera (e não é como a sua primeira paixão na escolinha, não). Se qualquer distração que te impeça de estudar te trouxer alívio - físico, mental e emocional. Se a cada dia que passa você se sente mais fracassado, mais incompetente, mais burro. 


Eu sei como é, acredite. Eu sei exatamente como é.




No meu caso, o foco do problema não foram os estudos. No primeiro semestre deste ano, com a minha rotina caótica no trabalho (com a faculdade, relacionamentos e outros sonhos negligenciados de pano de fundo), eu apresentei todos esses sintomas de uma vez por vários meses seguidos.


Até que eu me tornei levemente hipocondríaca. E embora algumas questões de saúde física realmente tenham contribuído para o aprofundamento dos sintomas listados acima, eu sei que elas também foram apenas consequência.


Eram as tais doenças psicossomáticas, que, a exemplo das disfunções tireoidianas e respiratórias (oi, asma!), têm origem emocional.


Noites inteiras sem dormir (computando períodos de +40 horas sem dormir e sem um pingo de sono) e dias em que acordar era um pesadelo tão bizarro que eu passava, de segunda a sexta-feira, 95% do dia deitada na cama. Aos fins de semana, eu saia e me refugiava na companhia de amigos queridos, que me ofereceram apoio sem saber.


Eu simplesmente não sabia bem o que fazer. Eu não estava em depressão ainda, mas em um período extremamente deprimido, sem conseguir sair. 


Eu agradeço muito por não ter entrado em depressão, porque seria praticamente impossível superá-la sozinha e eu estava -1000% disposta a compartilhar a questão com a minha família.


Não imagino o que teria acontecido, de verdade.


O trabalho? Bom, é lógico que eu tive que pedir uma licença de tudo e passar absolutamente 3 meses sem escrever um textinho sequer. Foi a melhor decisão que eu tomei.


Mas chega de falar de mim, porque o grande protagonista deste texto é você.


No começo do post, eu citei o trabalho um dos maiores focos de quem estuda. 


Mas por que, então, o título aqui não é “Quando o cansaço de um trabalhador se torna preocupante?”. 


Porque eu acredito mesmo que nós carregamos certos hábitos desde a primeira vez em que nos comprometemos com a vida adulta. Para muitos, é no pré-vestibular, quando o nosso futuro só depende da nossa dedicação para passar no curso x ou na faculdade y.


Sobrecarga. Perfeccionismo. Incapacidade de parar e admitir que tem algo errado.


Se você não se dispõe a tomar as rédeas do seu bem-estar já nesse momento, acredite: você vai se tornar um profissional ainda pior.


Semanas atrás, eu ouvi a Gabi Ferreira contanto um pouco sobre a trajetória dela como empreendedora jovem (a menina bota a cara na internet desde os 17 anos, meus caros). O que mais me marcou, de verdade, foi perceber que chegamos à mesma conclusão: sempre vão ter coisas por fazer. Novas tarefas. Novas demandas.


Mas só vai existir um você, sabe? 


Se você morre amanhã, ou simplesmente joga tudo pro ar, deita na cama e decide não levantar nunca mais, as pessoas à sua volta podem até se abalar (e responder com críticas ou apoio), mas o mundo vai continuar girando. Elas ainda vão ter suas tarefas e demandas. Ninguém pára pra você passar.


Assim como a sua faculdade dos sonhos (ou seja lá qual for o seu objetivo estudantil) também não.


E ao invés de reagir tentando correr mais rápido que o mundo, se você tiver que escolher PARE, SIM, PARA VOCÊ MESMO PASSAR.




Um burnout depois, eu aprendi que não adianta jogar o hamster para correr numa esteira humana. Ele vai acabar atropelado e a esteira… Bom, vai continuar lá, rodando.

Se você se identifica com alguns desses sintomas que listei, procure apoio. De um terapeuta, de um amigo sábio, mas principalmente de si mesmo. 


Olhe quais são os hábitos no seu dia a dia que favorecem as suas crises de ansiedade, por exemplo. Se comprometa a substituir um de cada vez.


O que me ajudou muito foi refazer o Desafio Você em Paz, disponível gratuitamente aqui.


E não, você não precisa estar a ponto de um colapso para desenvolver gentileza consigo mesmo. 


Às vezes, este post é só o puxão de orelha que o Universo está te mandando para que você olhe para os sinais que o seu corpo vem dando de que a sua rotina está te levando, passinho a passinho, para a beira do precipício.


Para encerrar, ao invés da minha tradicional perguntinha de fim de post, eu te deixo com esse poema da Rupi Kaur (a própria dona do mundo ♥): 


Comenta o que você quiser. ♥ 


Com calma, 
Sabrina Santiago.



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2 comentários

  1. Verdade. Por muitas vezes não percebemos que o nosso corpo está gritando por socorro. É preciso estar atendo. É o que eu sempre digo, não adianta um diploma se você tiver em um caixão. Tem que saber equilibrar as coisas.

    Bjos linda!
    https://canalcereja.blogspot.com/

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