Onde você está em 2019? - Moça de Casa | Carreira, estudos e rotina: de casa

Onde você está em 2019?

by - maio 10, 2019


Todos os meus amigos sabem que eu tenho essa teoria maluca a respeito de anos pares e ímpares. Antes que você comece a achá-la estranha também, saiba que ela é resultado de mais de uma década de auto-observação e ainda que a pesquisadora (eu) esteja profundamente envolvida com o objeto da pesquisa (minha vida), ela até que faz sentido.

Explico: desde que eu me entendo por gente (isso é lá pelos 11 anos), anos ímpares são anos incrivelmente extraordinários, nos quais coisas marcantes e felizes acontecem com maior frequência. Em outras palavras, são os anos em que eu saio do casulo e sou feliz para car*lho. Eu também gosto de chamá-los de "anos do bambu estigado" (o porquê eu juro que explico mais adiante).

Os anos pares, por outro lado, são anos mais pesados. Isso quer dizer que são ruins? Não. Na verdade, quer dizer que as arestas são aparadas e parte daquilo que está na minha vida, mas não pertence a ela, é expurgado. Perder dói, abrir mão dói, ver que você estava se dedicando a algo em vão dói. Ainda assim, faz parte da experiência da vida. Eu não vim a esse mundo com um manual de instruções e, entre um teste e outro, o mundo me pede a sagacidade de priorizar e deixar ir. Crescer. Esses anos, portanto, eu chamo de "anos de semente lançada".

E embora você já saiba que eu amo metáforas, a razão desses "apelidos" não vem do meu zero talento com jardinagem.

A verdade é que, ainda em 2015, eu me formei no Ensino Médio e, além de passar um calor enorme e ver os meus amigos mais chegados dessa vida dançando Gretchen como se não houvesse amanhã, eu tenho mais uma memória dessa data.

Dentro do tradicional canudo de formatura é de praxe que os organizadores do evento coloquem uma mensagem, que provavelmente vai parar no lixo em menos de 48 horas.

A turma de 2015 recebeu como mensagem, então, uma aula sobre como os bambus funcionam. Esse adorável fast-food de pandas, após a primeira plantação demora ainda cerca de 5 anos até brotar. Sim, cinco fucking anos. 

Como sabemos, eu e você já nos desesperamos se as plantinhas passam uma semana sem dar sinal de vida - imagine 260 semanas observando o fruto zero do seu trabalho.

Por que ainda se plantam bambus, então? 

Isso só acontece porque, passados os cinco anos iniciais, a planta espiga de vez e chega a crescer 20 centímetros POR DIA. E quem diz isso não sou eu, mas a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA).

A primeira vez que eu ouvi essa história foi em um vídeo da maravilhosa Flávia Melissa, há uns 6 anos atrás. E até hoje é uma das minhas favoritas.

Quando eu digo que vejo os anos ímpares como "anos de bambu espigado" é porque são neles que eu, essa pessoa de 1,65m e teorias doidas, mais cresço pra fora. Como disse: grandes conquistas and grandes marcos.

Pensando bem, foram em anos ímpares que eu: 

  ♥ Comecei todos os meus namoros; 
  ♥ Conheci algumas das pessoas mais significativas e incríveis da minha vida; 
  ♥ Fui morar sozinha;
  ♥ Entrei e me formei no Ensino Médio; 
  ♥ Comecei a estudar sozinha;
  ♥ Fiz o meu primeiro estágio ♥;
  ♥ Me matriculei na faculdade EAD. 

Entre outras tantas coisas...

Já os anos pares, eu chamo de "anos de semente lançada", porque o seu trabalho em geral é interno. 



É o medo de se ver "abandonada" em um terreno novo e desconhecido, é a dor de ter que romper a casca da semente porque ela já não suporta o tamanho que preciso ter, é insegurança, é faxina, é menos, é dentro.

Quando olho de fora e não vejo lá muitos motivos para comemorar, me lembro que nos anos pares eu mesma me dei força para me tornar quem eu precisava ser e encarar aquilo que eu estava muito ocupada para ver nas épocas de ouro.

À título de menção honrosa, em anos pares eu: 

  ♥ Chorei de desespero sem saber o que queria fazer - e, então, me encontrei no Cinema;
  ♥ Entrei e saí da USP - e, então, me encontrei no ead;
  ♥ Fui contratada para um emprego tradicional - e, então, me encontrei no home office; 
  ♥ Voltei a morar com os meus pais - e, então, encontrei a meta que me guia desde então ♥;
  ♥ Não conseguia me sentir bonita de jeito nenhum - e, então, vi força para deixar essa cabeleira cacheada sair e enfim me senti eu por fora;
  ♥ Terminei o namoro mais longo da minha vida e recusei outro com o tal amor da vida, mas que sempre soube que não era o amor *pra* minha vida - e, então, me encontrei;
  ♥ Trinquei o cóccix - bom, pra esse eu ainda não encontrei nenhuma utilidade, não. Dói até hoje. 

Listar assim faz parecer bonito e heróico, né? Mas a verdade é que cada um desses desafios teve a sua própria cota de choro e desespero. 

Se eu sabia que largar a USP era decisão certa a tomar? ATA. Foram SEMANAS chorando todos os dias no caminho de ida e de volta entre Guarulhos-São Paulo.

E não namorar com aquele cara que eu amava? 4 MESES DE CHORO, MIGOWS. 

Aquele emprego? UM ANO totalmente deslocada, dando 10% de mim (não me orgulho) e me sentindo inadequada (e até ingrata) por não ser feliz mesmo ganhando mais num trabalho meio-período do que muita gente ganha em tempo integral.

Engraçado... Enquanto escrevo sobre isso, estou ouvindo uma playlist minha chamada "Dengo". E o Scracho canta, exatamente agora:

   "Hoje sei o que dizer,
    O que faltava achei 
    Em você 
    Sorte nossa em 
    Encontrar alguém pra dizer 
    Que é só meu.


Anos pares veem justamente pra me tirar de baixo de toda bagunça, excessos e fórmulas de felicidade que as pessoas juram que TEM QUE me faz feliz. Hoje sei, é nesses anos que eu me encontro, como em uma viagem especial que você e a sua melhor amiga fazem em todas as férias.

Confesso que ainda tenho que tomar fôlego para encará-los, mas não os vejo mais como anos maus, de luta ou de sofrimento. Neles, só me resta olhar pra mim. 

Jeitin da vida de dizer "ou vai ou racha, meu bem". 

E quando eu acho que racha, vai. 

A casca rompe, o solo me nutre, eu renasço - e descubro força em mim onde antes só via um amontoado de confusões e futilidades.

A tua força, meu bem, está embaixo de tudo aquilo que mora na sua vida, mas no qual você não vê mesmo significado. Não é seu, mas chegou você não lembra quando e agora até já parece parte da mobília. Grava bem essas palavras: é preciso cavar pra encontrar. ♥



Mas voltando a este ano, que é o título deste post. 

Tecnicamente 2019 é um ano ímpar - ou seja, é o ano de espigar, de grandes conquistas and grandes marcos. 

Para ser justa, 2019 já me trouxe um apanhado de coisas incríveis - entre elas, um trabalho incrível, uma abundância maravilhosa de dinheiro, o fortalecimento de amizades, além de um corte de cabelo que me faz querer literalmente me pedir em casamento todo dia.

Ainda assim, ele vem me remoendo de formas quase inéditas. É um problema de saúde aqui, uma crise de ansiedade acolá e uma Sabrina perdida às vezes.

Mas como a vida nunca me deixa sozinha, ela sempre me traz parceiros de jornada com o recado bem escrito nos detalhes. Com as suas próprias experiências de sincronicidade, me revelam: é hora de trazer luz para o que era sombra. Dane-se que não é ano par: tira a pá do bolso, menina, e cava. Tira de cima tudo aquilo que não te interessa, não te acrescenta, não te faz mesmo feliz.

E cria espaço, que pra respirar se depende do vazio.

Como diz o meu trecho (quase) favorito do Tao Te Ching: "O espaço sobre a terra está vazio e livre, assim como o espaço dentro de um fole ou uma flauta. E enquanto houver mais espaço para atividade, mais eficaz esta atividade pode ser."



Ao longo da vida, eu também ouvi que a beleza da pintura está nos espaços vazios entre uma pincelada e outra, assim como a música é o silêncio que se coloca entre essa e aquela nota.

E me esforço para manter esse ensinamento de ouro fresquinho no coração. 

Por fim, deixo aquele mantra que é o jeitinho "gentil" do Uni de me puxar as orelhas quando acho mesmo que preciso de mais para ser MAIS feliz, MAIS bem-sucedida ou MAIS qualquer coisa que me deixe leve.

"A paz que você procura está no silêncio que você não faz".

E você, meu dengo, tá vivendo um ciclo de semente lançada ou de bambu espigado?


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