4 hábitos que estão te transformando em um estudante sobrecarregado - Moça de Casa | Carreira, estudos e rotina: de casa

4 hábitos que estão te transformando em um estudante sobrecarregado

by - setembro 18, 2019



Eu me sobrecarrego. Tu te sobrecarregas. Eles se sobrecarregam. 

Poderia dizer que esse é um padrão do nosso tempo, pela velocidade da informação que recebemos e a fome que temos em engolir tudo, sempre, o máximo possível. 

Mas cravar isso seria uma mentira.

A não ser que chamemos de “nosso tempo” todos os milhares de anos da história humana. 

Isso porque eu acredito que a sobrecarga depende muito menos do nosso meio externo e muito mais da nossa falta de sensibilidade para o que acontece dentro de nós. Para o ponto em que algo cá dentro diz: não vou aguentar. Como uma claustrofobia interna… É aquele grito de: o ar tá acabando, desgraça, me deixa respirar.

São muitos os fatores que nos fazem ignorar o nosso próprio limite. Querer agradar os outros. Atingir as expectativas que têm sobre nós. Não admitir que tomamos a estratégia errada. Acreditar que não somos bons o suficiente e, que se não fingirmos sucesso com excelência, o mundo logo vai flagrar o nosso fracasso e fragilidade: a nossa farsa. 

Daí botamos a culpa em mil outras coisas: muitas tarefas na faculdade, muitos projetos no trabalho, muitos relacionamentos. Não dá para pausar, porque de repente as 24h ficaram pequenas (como se fosse possível) e o mundo não pára para respirar. 

E digo com propriedade, viu? Porque em várias fases da minha vida eu me tornei expert em estar sobrecarregada e fingir plenitude. Nem eu parava para me deixar respirar, quem dirá o mundo. 

E uma das fases mais cruéis foi o meu ano como vestibulanda. Depois veio a faculdade, outros idiomas e lá estava eu: vira e mexe lutando para não ser soterrada em meio a tantos prazos… E, principalmente, para ter um tanto mais de gentileza comigo mesma, ME RESPEITAR.

Com essa experiência (rs), hoje eu sou mais capaz de identificar quais são os hábitos que estão me levando direto para a beira do abismo, abraçadinha com o desespero. Substituí-los vira a prioridade e posso cortá-los mais rapidamente. É o tal remédio. 

Pensando em você, que pode estar atravessando esse caminho neste exato momento, eu decidi compartilhar 4 dos hábitos mais nocivos aqui no Moça de Casa. Pode ter certeza: eles são responsáveis por boa parte desse seu sentimento de “não vou dar conta”. Se não na base do problema, nos raminhos. 

Lendo agora, você primeiro se concentra em substituí-los, ok? Depois, volta de tempos em tempos para garantir que não está deixando nenhum deles tomar espaço na sua rotina. Estamos combinados? Então vamos lá!



1. Ignorar uma tarefa

Hora de ser sincero comigo. Quantas vezes você já teve um pensamento do tipo “eu preciso estudar para a prova X” e deixou o seu cérebro divagar por outros assuntos, até esquecer completamente esse lembrete desagradável? E repetiu o processo pelo menos mais umas 10 vezes? 

Talvez você tenha até reclamado da tarefa para amigos, namorados, familiares. Como se a sua estratégia fosse: nada de começar a estudar enquanto eu não contar para todas as pessoas da Terra que eu preciso estudar. 

Uma baita procrastinação, né? Mas o maior problema aqui não está nas pessoas para quem você conta, e sim nessa permissão que você dá ao seu cérebro para ficar ruminando um mesmo pensamento.

Porque é exatamente assim que os fatos se desenrolam: 

  • Na primeira vez, você fica nervoso por lembrar da prova. 
  • Na segunda vez, no entanto, você fica nervoso por lembrar da prova e POR NÃO TER SE LIVRADO DO PROBLEMA JÁ NA PRIMEIRA VEZ. 
  • Na terceira, junte a lembrança da prova com o nervoso 1 e 2, e o que temos é uma bola de neve que vai apenas deixá-lo mais e mais nervoso a cada vez que você pensar nisso sem tomar qualquer atitude.

David Allen cunhou, há vários anos atrás, que a nossa mente foi criada para ter ideias, não para armazená-las. O que significa que usar a caixola como porta-lembretes demanda uma energia desnecessária dela, culminando no estresse e ansiedade tão conhecidos.

É como colocar uma pessoa de humanas supercriativa para realizar apenas cálculos todos os dias: ela não está usando a sua energia vital para fazer o que faz de melhor e acaba  gastando muito mais para atingir níveis medianos na tarefa para a qual foi designada.  


Como substituir o hábito: Carregue um bloco de notas com você e anote lembretes como “eu preciso estudar para a prova x até dia y” assim que a tarefa surgir. Se comprometa a revisar o bloquinho ao final do dia, de modo a abrir espaço na sua agenda para as tarefas derivadas deste compromisso, como “estudar das 15h às 16h na próxima semana”. (Esse passo é parte integrante do método GTD, criado pelo próprio David Allen. Para ler mais a respeito, clique aqui).



2. Pular a fase do planejamento

Passo a passo. Prazos de execução. Prazos de revisão. Prazos de entrega. Horários na rotina. Soluções para problemas comuns e outros imprevistos.

O planejamento está disponível como uma forma de prover tudo isso para o seu projeto. O mapa que a gente rabisca antes de se lançar numa aventura… Se até Gandalf tinha um, acredita em mim, você também vai precisar.

Em geral, o planejamento te dá previsibilidade e te deixa tranquilo para encaixar na agenda todos os compromissos importantes. Como ela é limitada (olá, 24 horas), você de quebra ainda ganha uma noção de prioridades.

Os planejamentos mais utilizados são:

  • Planejamento diário;
  • Planejamento semanal;
  • Planejamento mensal;
  • Planejamento semestral;
  • Planejamento anual;
  • Planejamento de vida.

Como substituir o hábito: Você pode tanto optar por lançar mão de todos eles, como pode escolher apenas os que fazem mais sentido para você.

Eu, por exemplo, sempre gostei mais de planejamentos semanais e semestrais. Nos últimos tempos, contudo, estou começando a me apaixonar por to-do lists diárias. 

Tudo bem a forma como nos planejamos mudar conforme amadurecemos. O que não pode nunca é ser esquecida. Na dúvida, eu me pergunto: o que o Gandalf dentro da minha cabeça faria?



3. Não acompanhar o seu progresso diário

No ano passado, eu li o livro Hackeando Tudo, do Raiam Santos. E apesar de ter mil ressalvas para fazer a respeito dele, uma das dicas eu carrego desde então: sempre acompanhar o meu progresso em várias atividades que são importantes para mim. De resultados no trabalho a palavras novas aprendidas em outro idioma, ver os números crescendo conforme eu me dedico me dá gás para continuar.

Mas como isso está relacionado à sobrecarga?

Bom, principalmente porque o grande sentimento de um estudante sobrecarregado é o de estar fazendo mil coisas, sem nunca sair do lugar. 

Como substituir o hábito: Defina quais são os elementos que você quer acompanhar. Algumas sugestões são: páginas lidas no dia, exercícios resolvidos, páginas escritas do trabalho… Crie uma lista e, a cada dia, anote o seu desempenho. Para melhorar as coisas, se dê um pequeno prêmio ao final do projeto ou ao bater o dia anterior - uma colher de brigadeiro é sempre bem-vinda!



4. Subestimar distrações 

Cês pensaram que eu não ia falar de procrastinação hoje, né?

Distrações são as sementes da procrastinação. Afinal, quem nunca disse para si mesmo que deixar a TV ligada “como som ambiente” não faria mal algum e, quando viu, já estava entretido com a programação? 

Pessoas sobrecarregadas (e procrastinadoras, já que uma qualidade costuma estar atrelada a outra) são especialistas em subestimar distrações. 

Elas sabem que a TV vai acabar roubando a sua atenção. Elas sabem que “aquela saidinha” no fim de semana vai se transformar num programão e tomar todo o tempo que ela deveria usar para terminar um trabalho. Elas sabem que (insira aqui a distração que mais te atrapalha). 

Elas só se fazem de sonsas. Eu e você sabemos como é (não se faça de sonso aqui também).

Como substituir o hábito: No post 3 aulas gratuitas para quem precisa de mais foco no home office, eu indiquei um webinário maravilhoso só sobre distrações. Foi através dele que o conceito de procrastinar distrações chegou na minha vida e, bicho, faz todo sentido!

Por hoje é só! ;)

Mas antes de ir, me conta:

Qual desses hábitos mais sabota os seus estudos?


Eu vou adorar saber e trocar ideias de soluções contigo nos comentários.

Com gás,
Sabrina Santiago. 


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4 comentários

  1. Oi Sabrina
    Eu adorei seu post!
    Vou voltar depois para ver como está meu desempenho.
    O mais difícil para mim é que faço o item 1, ignorar uma tarefa...mas quero melhorar isso
    Já ando com o caderninho na bolsa e estou organizando minhas listas :)
    Bjs
    Claudia

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  2. Olha Sabrida, essa frase veio tão fundo que até doeu:
    "Porque em várias fases da minha vida eu me tornei expert em estar sobrecarregada e fingir plenitude. Nem eu parava para me deixar respirar, quem dirá o mundo. "
    é a mais pura verdade, pois estou vivendo justamente isso, o procrastinando o máximo possível coisas que eu deveria ter feito.
    Obrigada pelas dicas, vou tentar colocar em prática todas elas, e ao mesmo tempo colocar a quantidade de tarefas que eu realmente consigo efetuar, pois tenho o péssimo habito de me atribuir tarefas mais do que eu realmente consigo.
    Abraços.
    Ava
    https://apenasava.com/

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