3 filmes que me fizeram entender melhor (eu, você e) a nossa geração - Moça de Casa | Carreira, estudos e rotina: de casa

3 filmes que me fizeram entender melhor (eu, você e) a nossa geração

by - setembro 20, 2019


Os 6 meses na faculdade de Cinema geram mais perguntas no meu dia a dia do que os 2 anos de Comércio. Acho que todo mundo tem essa visão meio glamourizada dos cursos de arte e fica um pouco difícil entender o porquê de alguém desistir de tudo isso, né? Eu sei. 

Mas eu sempre guardo a sétima arte num lugar muito especial dentro do meu coração. Mesmo com todos os motivos que me fizeram recalibrar a rota. 

Foi graças a ela que eu aprendi a olhar para as pessoas com curiosidade (quem pode dizer o tipo de história que esse protagonista vive?), a ser empática (porque, no fundo, todo mundo carrega a sua própria jornada do herói) e a ver beleza nos lugares mais improváveis (chama uma diretora de fotografia, escreve um bom plot twist e tá tudo certo). 

Uma das coisas que eu mais gostava, quando adolescente, era passar várias horas seguidas assistindo filmes. Mais introspectiva, impossível. A sensação de estar em outro mundo, por um momento, e conhecer um pedacinho de alguém era insuperável. Como deve ser nos livros, séries ou músicas, se for mais a sua praia. 

Eu ainda me derreto diante de um filme bom. E se ele for daqueles que enfiam a mão nas tripas da realidade e colocam na tela uma amostra sensível e cuidadosa dela, eu me derreto muito mais. 

Portanto se, assim como é comigo, os filmes também te dão um quentinho na alma e te fazem refletir me add, eu preparei uma lista com alguns filmes que já assisti e me fizeram repensar bastante a forma como a nossa geração vive. 

É... humanos são plantinhas com emoções complicadas. 

Her 

Eu ainda me pergunto qual área elogiar em Her: a fotografia impecável, a trilha sonora maravilhosa (incluindo Moon, um denguinho só, na voz de Scarlet Johansson), a atuação do Joaquim Phoenix... 

Até hoje eu não me decido e pra cada amigo uso uma justificativa diferente. 

No entanto, como esse post foca na reflexão, Her é incorrigível nesse assunto. Afinal, você já se perguntou quando chegaremos ao ponto de namorarmos um sistema operacional? Já substituimos tantos relacionamentos que estamos a um passo de casarmos com o celular. 

Em Her, é exatamente esse o grau de envolvimento emocional entre Theodore e Samantha (o SO). E se engana quem pensa que é só mais um relacionamento banal, solitário e vazio de um humano carente. 

Se prepare para torcer muito pelos dois, se apaixonar junto com eles e se entristecer, quando chegar à óbvia conclusão de que em algum momento isso tudo vai acabar em m*rda. *gif do coração quebrado* 


"O coração não é uma caixa que você preenche. Ele se expande quanto mais você ama." 

Sinopse: "Em Los Angeles, o escritor solitário Theodore desenvolve uma relação de amor especial com o novo sistema operacional do seu computador. Surpreendentemente, ele acaba se apaixonando pela voz deste programa, uma entidade intuitiva e sensível, chamada Samantha". Para conferir o trailer (outra lindeza), clique aqui



Newness 

Graças à indicação da Amanda Teló, eu descobri o trailer de Newsness. Em pouco tempo, eu o encontrei na Netflix e, sério, até fui comentar *de novo* naquele post depois que o terminei. 

Esse filme é um dos meus amores de 2018 e explico o porquê. 

1. Ele tem essa pegada independente que eu adoro. 

É meio difícil não perceber, nas cores, no tom, nos movimentos de câmera, que Newness não foi feito por um estúdio. Tem alma. 

2. Os personagens, mais do que serem reais, parecem reais. Não é um daqueles filmes de amor em que um dos protagonistas é um pateta, e o outro, super maduro e evoluído. Eles possuem falhas e cometem erros, da forma mais humana possível. Poderiam ser seus amigos ou colegas de faculdade/trabalho. Para ser sincera, poderiam ser você. 

3. Puxando pela memória, eu acho que nunca vi um filme retratar tão bem os relacionamentos da nossa geração. Sem joguinhos absurdos no roteiro, sem perseguições clichês no aeroporto. Tem "Tinder", tem amores líquidos, tem sexo casual, tem relacionamento aberto e tem relacionamento aberto que só se abre porque o fechado tá mal das pernas (sabendo o quanto isso tem 100% de chance de dar errado, em algum momento). Mas também tem amor: daqueles que falhos demais para um conto de fadas, mas sinceros demais para não existirem. 



"Se você for honesto comigo, você nunca vai me perder." 

Sinopse: "Martin e Gabi se conhecem em um aplicativo de encontros e começam a namorar. Quando o tédio aparece, eles encontram uma solução inusitada para o problema". Veja o trailer aqui




A Vida Secreta de Walter Mitty 

Dois minutos de silêncio para esse filme, que provavelmente tem uma das trilhas sonoras e (alguns) dos cenários que mais amo nessa vida. 

Ainda lembro do dia em que fui assistir a esse filme no cinema. Último domingo do ano de 2013, eu tinha trocado créditos que ganhei no Contplay pelo ingresso e fui sozinha. Um daqueles combo pra manter a sanidade mental que recomendo pra todo mundo. 

A verdade é que, desde então, eu sempre lembro dele com todo carinho do mundo. E um dos motivos é que ele mostrou algo que eu pensava ser uma característica só minha: a gente pensa demais. Pior, a gente fantasia demais. O tempo todo. 

Esse não é um privilégio da nossa geração, é claro. O filme, inclusive, é apenas uma versão de outro, lançado em 1947 (!). 

Mas com acesso a tanto conteúdo, fotos e histórias na internet, começamos a fantasiar uma vida cada vez mais perfeita. Uma simulação mental que parece cada vez mais real. Tão perto e tão longe. 

A nossa referência não é mais aquele super-herói surreal, que vive aventuras que (sabemos) nunca viveremos - como em 1947 era. 

São as pessoas como nós. Que, mesmo dividindo a vida conosco, parecem tão mais felizes do que nós somos. 

É mais fácil escapar agora. Fantasiar o que faremos quando tivermos acesso ao que já nos é acessível. 

Fantasiamos com amigos de jeito x, quando já temos de jeito y (que nos fazem mais feliz do que pudemos um dia imaginar). Fantasiamos que viveremos um amor arrebatador, quando a nossa essência gosta mesmo é de um amor tranquilo. Fantasiamos a vida na Europa, viajando a cada semana: mas, às vezes, só chegar na nossa casinha nos traz paz. 

Não é o querer mais que viralizou. É o querer ser diferente, porque o diferente parece ter uma magia, uma felicidade, que a nossa vida real não tem. 

É claro que não tem, cabeção! É aquela coisa: "para engraxar os sapatos podem ter muitos, mas para calçar, só um pé serve". 


"As coisas belas não clamam por atenção". 

Sinopse: "Walter Mitty (Ben Stiller) passa a vida sonhando acordado. Para fugir do tédio, do vazio e da mesmice do cotidiano, entrega-se a devaneios que o levam a cenários de aventura e romance onde pode ser quem quiser. Mas a sua tranquilidade é posta à prova quando o seu trabalho é ameaçado e ele não tem alternativa senão descer das nuvens e enfrentar os duros contornos da realidade". O trailer, com a minha música favorita do Arcade Fire, está disponível aqui

Antes de ir, me conta: 



Qual filme mais te ajudou a entender o nosso tempo? 

Vou amar assistir a sua indicação e trocar figurinhas sobre ela! 💛

Com compreensão, 
Sabrina Santiago.



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18 comentários

  1. Oie.
    Eu ainda não conhecia nenhum desses filmes, mas fiquei superinteressada. Sempre gostei de filmes com camadas atuais que invocam o sentimento de entender a nossa própria sociedade. Simplesmente amei esse.
    Beijos
    Blog: Fantástica Ficção

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  2. HER é um dos filmes preferidos da minha vida, maravilhoso em mts sentidos... e já adorei essas duas outras indicações, são filmes que não conheço mas com certeza quero procurar pra assistir

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  3. Olá, Sabrina.
    Eu já não sou tão fã de filmes, prefiro ler um bom livro hehe. E quando assisto geralmente gosto de uma comédia ou de um suspense. Por isso não conhecia nenhum desses.

    Prefácio

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  4. De todos eu morro de vontade de assistir Her mas já tinha visto A Vida Secreta de Walter Mitty e também amei, ele mistura um pouco de humor com uma delicadeza tão grande. Fiquei presa durante todo o filme e no final, meu coração tava quentinho. Deu até vontade de ver de novo.

    Abraço,
    Parágrafo Cult

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  5. Oi Sabrina
    Eu não conhecia nenhum desses filmes,Mas gostei do que você falou de cada um deles .Principalmente o "A vida secreta de Walter Mitty"

    Beijos

    Meu mundinho quase perfeito

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  6. Oi Sabrina,

    Amei seu blog!
    Eu só vi Her desses que indicou. É um filme com o qual me identifico com o personagem principal sabe? Acho que se pudesse indicar um filme com o tema seria 500 dias com ela, porque hoje eu tenho visto uma discussão grande sobre responsabilidade emocional.
    Acho que nossa geração anda meio perdida. É tanta informação que a cabeça até doi sabe?

    Adorei o que falou sobre as vezes termos uma vida feliz e ficarmos fantasiando outra, é exatamente isso!

    Obrigada.
    Beijos,

    https://tear-de-informacoes.blogspot.com/

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    1. Obrigada pela indicação, Lais. Como você, também adoro filmes desse tipo!

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  7. Oie,
    Eu me interessei em assistir os dois primeiros. Newness já adicionei na lista da Netflix e assisto ainda essa semana. Her anotei pra procurar.
    Acho que nunca vou entender nossa geração. Confesso que tem momentos que sinto que nasci no tempo errado. Adoro a tecnologia e a facilidade que ela nos traz, mas as relações humanas estão cada vez mais frágeis e superficiais.
    Beeijoo!!

    Grazy Carneiro
    Meus Antídotos

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    1. Discordo quanto à sua visão sobre as relações: são apenas fragilidades expostas de forma diferente para mim. Mas obrigada mesmo por compartilhar, querida!

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  8. Ai adorei as indicações Sabrina! Eu já assisti Her e Walter Mitty, que é um dos meus filmes favoritos da vida! Nem consigo comentar direito, porque o filme é um obra de arte pra mim haha

    Enfim, já salvei o trailer de Newness pra ver em casa.

    Boa semana pra você ♥

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  9. Eu já assisti os três filmes e MEU DEEEEUS eu amo demais, me fizeram refletir horrores, fiz até um texto no meu blog sobre o seguro. O terceiro eu vi no cinema e lembro que saí toda inspirada da sessão, o filme que inspira mudanças. E agora to super curiosa com esse começo do seu texto, você estou 1 semestre de cinema? Meninaaa, procurei no seu blog e não encontrei sobre essa sua transição, mas queria muito saber um pouco mais sobre isso. To querendo estudar cinema agora, uma segunda faculdade (e EAD - inclusive amei seus textos sobre, estão me ajudando muito).
    Beijooos.
    https://amandatelo.com/

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    1. O segundo só assisti por sua causa. Obrigada, obrigada, obrigada!

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